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Quando eu mudei de emprego, fui obrigada a mudar também de banco. O banco B, que eu usava anteriormente, era uma maravilha. Nunca deu problema, a minha agência era ao lado da minha casa, há caixas eletrônicos dele espalhados por todos os lugares, a taxa de manutenção da minha conta era mínima só porque eu tinha uma graninha na poupança, nunca precisei esperar mais do que quinze minutos para ser atendida e, por fim, é uma empresa muito confiável. Mas nunca me deu crédito. Muito menos me ofereceu nada que eu não tivesse solicitado. Também nunca me fez falta.
Ok.
O novo banco, o R, é o espetáculo do crédito. Eu nem tinha assinado a abertura da conta ainda e já foram me informando que meu cartão de movimentação da conta seria também cartão de crédito (hum), que eu teria cheque especial (huuumm), empréstimo pré-aprovado (huuuuummmm) e mais trocentas facilidades das quais nem me recordo. Tudo isso sem pagar um tostão de taxa.
Quando a esmola é demais, a Gabi desconfia.
E muito.
Desde o começo, eu pensei que deveria tomar cuidado. Todos esses créditos e facilidades só podiam fazer parte de um plano maquiavélico e sórdido para sugar o meu suado dinheirinho!
Eu estava mais do que certa.
Numa das tentativas frustradas, eles me debitaram algumas despesas em duplicidade. Eu, lógico, reclamei e tive meu dinheiro de volta.
Mas eles são mais espertos do que imaginou a minha ingênua cabecinha.
Querendo muito dar um jeito no cabelo zoado pelo meu ex-cabeleireiro (leia-se beesha vingativa e invejosa), resolvi comprar uns shampoos importados, fazer umas luzes, umas hidratações, reconstruções, cauterizações e outras blablablações pra ver se dava jeito. Como a grana está milimetricamente contada, resolvi lançar mão do cartão.
Aí, muito cuidadosa que sou, lá vou eu na internet consultar minha próxima fatura.
Para minha surpresa, não viria quase nada pra pagar. Fiquei super feliz achando que todas as minhas contas já tinham acabado e me joguei na perfumaria e no salão.
Eu caí na arapuca.
Hoje, um dia antes de fazer as luzes, resolvi dar uma outra consultada pra desencargo de consciência. Qual não foi o meu espanto quando me deparei com todas as despesas ali, lançadinhas tim tim por tim tim, aquelas mesmas que o banco me levou a pensar que já estavam pagas. E mais as novas.
Caí pra trás.
Mentira, não caí, mas quase. Agora eu estou aqui subtraída e dividida. Sabendo que meu próximo salário não vai nem esquentar na conta e tendo que escolher entre o dever e o querer. Eu deveria cancelar o cabeleireiro de amanhã, mas quem disse que eu quero? Não consigo ser forte o suficiente para pegar no telefone e desmarcar. Eu estou sem um mísero real, mas lá no cabelereiro eles dividem em até três vezes no.... cartão.
criado por Gabi
13:51:28