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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2008

23.07.08

Epopéia Culinária

Domingão de sol, a parentada de São Paulo toda em casa, você acorda com as altas risadas que vêm da cozinha, naquela leseira de quem tomou saquê demais na noite anterior .


Vai tomar café da manhã e descobre que a mulherada de Sampa já está toda produzida (sim, produzida mesmo e era alta produção, com direito a bijus, brilhos e sandália plataforma) para ir à praia. Você, claro, mal acordou e ainda não deu tempo de pensar no almoço, até porque normalmente quem se preocupa com isso é a dona da casa, matrona, cozinheira-mor, Dona Vovó. Enquanto procura pelo remédio para dor-de-cabeça-pós-bebedeira, vê a turma toda saindo porta afora com destino à areia. Inclusive a Dona Vovó. Opa, peraí!!!!!


-Vó, e o almoço?
-Vocês fazem.


Como assim?, você pensa (ou pelo menos tenta pensar, à medida do que a ressaca permite). O “vocês” mencionado inclui uma tia que costuma cozinhar com a mesma freqüência que você, o que significa nunca. Ela também só faz pratos tão elaborados quanto os seus, arroz e ovo mexido são as especialidades de cada uma, respectivamente. Bom, pelo menos você não está sozinha, o que já é um alento para o coração.


No centro da dificuldade está a oportunidade, é o que passa na sua cabeça nesse momento de angústia, uma frase que você leu em algum lugar por aí. Então você se anima e resolve se mexer.


A única coisa que havia na despensa era um resto de bacalhau e no freezer, carne. Da carne, sairia estrogonofe, você decide. Do bacalhau, bem... Corre no supermercado e, enquanto compra mais bacalhau, batata, temperos, vai pensando em alguma receita.


Nessa hora você dá graças por ser tão boa de garfo. Quando se come com prazer, saboreando cada mínimo pedaço da refeição, você consegue distingüir cada ingrediente que foi usado para fazer o prato. E é por essa característica que você tanto abomina quando sobe na balança, que você se lembra de um inesquecível bacalhau que comeu num restaurante certa vez. Volta para casa alegre, já dando as coordenadas para a tia na cozinha e animada para dar vida a um bacalhau ao forno.


Algum tempo depois, está ele lá, no forno: borbulhante e apetitoso. E você e a tia, orgulhosas. Não, orgulhosíssimas. Até que ouvem um estouro.

 


Corta. Vamos para o almoço. As visitas chegaram da praia, sentaram-se à mesa já posta, fartaram-se do bacalhau e elogiaram suas habilidades culinárias. O peixe acabou em minutos e você ficou muito feliz e satisfeita.

 


E isso era só o que as visitantes precisavam saber. Não havia necessidade alguma de tomarem conhecimento que, minutos depois de ter colocado o bacalhau no forno pra gratinar, o pirex rachou ao meio sabe-se lá por quê. Você, quando ouviu o barulho e constatou que o refratário havia se tornado dois cacos de vidro gigantes, se desesperou. Já ia começar a chorar quando a tia, co-autora, resolveu passar a comida pra outra travessa e servir assim mesmo.


Ninguém ficou sabendo também que você passou o almoço inteiro apreensiva, com medo que alguém engasgasse com algum pedaço de vidro e morresse entalado e você fosse acusada de homicídio culposo.


O que importa é que o bacalhau ficou dos deuses.

  • criado por  Gabi criado por Gabi
  • Postado em 18:10:46

10.07.08

Dias que parecem noites

Bem, já faz um tempo desde o último post. Quando dou essas sumidas, acho que quem lê o blog freqüentemente (será que eu tenho algum leitor fiel?) já deve saber o motivo: muito trabalho, o que significa muitas horas extra$, muita falta de tempo até pra fazer xixi, muitas olheiras, muita falta de atividade física e muito sono acumulado também. Mas é a vida.

E a vida é cheia de suspresas. Surpresas como pedir à bicha-cabeleireira-amiga (da onça) para dar uma desfiadinha nas pontas do seu cabelo que já é curto e ele te deixar com cara de moleque emo. Ééééé, acontece, está achando que não? E nem adianta chorar, muito menos pedir colo pro namorado.

-Amor, fui cortar meu cabelo e o cabeleireiro me deixou ridícula. Dá pra você ir comigo ao shopping pra eu comprar umas fivelas a-go-ra?
-Nossa, mas está tão feio assim pra eu ter que sair correndo pra comprar fivela?
-Eu estou a cara da Glória Menezes!
-Ah, então eu não vou aí nem agora nem nunca mais. Eu não vou namorar com a sósia da Glória Menezes (risos, gargalhadas, barulho de homem rolando no chão de tanto rir)
-Vai sim!!! Eu namoro contigo com essa pança enorme, então pode levantar essa bunda gorda do sofá pra me levar ao shopping! E rápido!

E o romantismo mandou lembranças. Principalmente quando ele viu pessoalmente, com uma indescritível expressão de espanto, o estrago feito na minha cabeça.

-Mas o que que é isso?! Bem feito, agora vê se aprende e para de gastar dinheiro à toa com esse cabelo! Quer que eu acerte esse rabinho que ficou aí atrás? Pega uma tesoura que eu dou um jeito nisso.


Enfim... eu achei que charmosos (e caros) tic-tacs, elásticos e piranhas adornados com pedras, strass e cristais swarowisky resolveriam tudo.
Até que hoje estou lá, no meio do meu banho matinal super-power-mega quente, com o cabelo cheio de espuma quando, de repente... falta luz. Enxaguar o cabelo na água gelada foi o de menos, mas não tive coragem de passar o condicionador. Aí lembrei que não poderia usar o secador e quase entrei em pânico. Eu achei que seria o fim ter que sair de casa sem secar o cabelo, mas lembrei das fivelas e fiquei um pouco mais aliviada. Aí procurei por elas e descobri que tinha perdido tudo. E aí, sim, foi o fim.

Estou até com medo de me olhar no espelho hoje.


  • criado por  Gabi criado por Gabi
  • Postado em 16:29:25